La poesia e la sapienza del mondo, di Marco Ceriani

Questionamentos na poesia de Enrico Testa, por Luiza Faccio

Resultado de imagem para enrico testa



Enrico Testa, nome já conhecido aqui da Revista, é um poeta que coloca os seus leitores em constante questionamento sobre as coisas simples do dia-a-dia. Perguntas são comumente encontradas em seus poemas, convidando-nos a refletir sobre questões como "Quem é o dono da sombra?",

quem é o dono da sombra?
a luz que reflete
ou o corpo do qual emana?

(TESTA, 2014, p. 81)¹

Como responder a uma pergunta que o poeta se faz e nos faz? Quantas alegorias podemos fazer à partir dessas imagens? Esse é um dos efeitos e sensações que a poesia de Testa nos causa.
A sombra é um elemento muito cotidiano e acompanha a todos sempre. É na sua maioria pensado como elemento do medo, do horror, do obscuro, mas que em Testa ela pode ser a forma de se pensar uma origem. O que é a sombra? De onde vem, qual sua origem, qual seu fim? Se pensarmos bem, não sabemos ao certo se seria ela pertencente ao corpo, à luz que reflete no corpo ou aos dois, nesta dupla origem, neste entre lugar de corpo e ausência de luz. Poderíamos pensar na sombra, como definiu Jung na Teoria da sombra, como a parte mais obscura do ser humano, mas aqui a sombra vem antes como metáfora para a origem, de onde vem, como surgiu?
Tudo tem uma sombra, o ser humano, os animais, os objetos. Elas sempre os acompanham, contudo, por mais que reflitam esses corpos, à eles não pertencem por inteiro. Há momentos em que elas somem e tem-se aqueles em que nos seguem, “[q]uando se aproxima a hora do meio-dia, as sombras são apenas os contornos negros, nítidos aos pés das coisas, prontas a regressar silenciosas, discretas, à sua toca, ao seu segredo.” (BENJAMIN, 2017, p. 75)².
A “matéria”, enquanto homem, animal, objeto, deixa rastros que na sua maioria são aparentes ou que podem ser seguidos. É muito difícil não deixar rastros. Poderíamos pensar a sombra enquanto rastro, que conforme fazemos nossas ações ela nos segue, mas não sendo ela pertencente a um corpo único, um rastro de um corpo só e sim estando entre a luz e a matéria que produz a sombra. Porém, a sombra é um rastro que não permanece, ela nos segue, mas pode sumir e em lugar algum deixa vestígios de sua existência, não pode ser tocada, não é física. Ela existe e ao mesmo tempo não existe.
Podemos pensar a sombra então como uma metáfora para a origem, pensá-la como este entre lugar, sem um início e fim definido, como um gesto por si só, que representa a medialidade assim como os poemas de Testa e os gestos de uma tradição. Pensar a poesia de Testa é portanto estar em constante reflexão, é questionar-se a todo momento, junto com o poeta, sobre os elementos e quadros comuns do dia-a-dia.


1- TESTA, Enrico. Ablativo. Tradução de Patricia Peterle, Silvana De Gasperi e Andrea Santurbano. São Paulo: Rafael Copetti editor, 2014.
2- BENJAMIN, Walter. Imagens de pensamento: Sobre o haxixe e outras drogas. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.


como citar: FACCIO, Luiza. Questionamentos na poesia de Enrico Testa. In Literatura Italiana Traduzida, v.1., n.3, março. 2020. Disponível em https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/209915